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14 September 2004

BAGÃO FELIX

Raras são as ocasiões que um político neste pais fala de uma forma simples. Geralmente, são conversas complicadíssimas e poucos são aqueles que entendem.

Ontem falou o nosso Ministro das Finanças, comparando as finanças de um país com as finanças das nossas famílias. Há quem o acuse de demagogia. Mas a verdade é que, as diferenças entre os dois são ao nível da complexidade. Obviamente que, o orçamento de um país é mais complicado do que, de uma família. Dito isso, o importante são as semelhanças.

Uma regra de ouro é: QUEM GASTA MAIS DO QUE GANHA, VAI À FALÊNÇIA.

Isto é verdade em casa, nas nossas empresas e para o Estado. Não há nenhuma entidade, que consiga durante anos a fio viver acima das suas possibilidades.

É importante também notar que, os portugueses geralmente não conseguem fazer a correlação entre o orçamento familiar e o orçamento de Estado. Acham que as coisas são totalmente diferentes e que o Estado consegue gastar mais do que recebe, indefinidamente. Neste momento, exemplos são muitos. Nos Estados Unidos há muitas empresas multinacionais de aviação à beira da rutura. Os seus orçamentos são, de certo modo, comparáveis aos dos pequenos Estados como Portugal.

Se o Estado cobra 100 mil milhões de Euros em impostos e gasta 150 mil milhões tem a necessidade de arranjar essa diferença noutro sítio. Há algumas opções:
1) Aumenta os impostos;
2) Recorre ao crédito;
3) Vende bens e património;
4) Vai a falência, e deixa de pagar os seus fornecedores. Uma situação que, em certa medida, já existe em Portugal (claro que, um Estado na prática nunca vai à falência, mas muitos países na África e noutros continentes estão na falência. Já não conseguem pagar as suas dívidas).

Visto dessa forma, equilibrar o orçamento é bastante importante, porque se não formos nós a pagar, vão ser os nossos filhos a pagar. Neste contexto, Bagão Félix esteve bem. Não anunciou medidas concretas, mas pelo menos falou para os portugueses duma forma que qualquer um que quer entender, entende.

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