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02 October 2004

UM ORGULHO DE OFÍCIO



Está concluído.
A loucura gloriosa recua,
O artista adormece.
A fome roendo, saciada,
A luxúria do medo,
O seu trabalho
Um testamento da sua alma.

Uma queda livre
Há muito lançada,
Uma dança desafortunada,
Um azar que mudou o futuro.
Em vez de vida, a morte,
A sua companheira
De muitas vigílias.

Cortesia desapaixonada, dançando
Ao ritmo de demónios, íntimos.
Ele diverte-se em severas delicadezas.
O orgulho é tudo o que o refreia
De entrar num sono eterno e
Cumprir finalmente
O que foi iniciado.

Nesta estrada solitária,
Ele sabe muito bem,
A destruição que o espera.
Nunca envelhecer,
Nunca morrer,
Fechado e condenado
Numa prisão de palavras.

Autores declamarão,
Durante os anos vindouros,
O hino que foi elaborado nestas noites.
Enquanto na tumba
O chumbo, alojado no cérebro,
Nunca o deixará descansar,
Nunca o deixará morrer.


Arlindo Costa

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